Estou para ver alguém que saiba mais das coisas do que o tio Militão. Seja qual for o assunto, tio Militão tem um conselho, um truque, um segredo. Sabe aquele assado? Tio Militão tem uma receita que só ele sabe fazer e, garante ele, nenhum Chefe de cozinha conhece a combinação dos temperos que ele aprendeu com... bem, isso ele não conta para ninguém. Você sabe a razão que levou à derrota de Napoleão? Não, você não sabe. Você pode até pensar que sabe, mas, segundo informações confiáveis que ele leu num livro que só ele tem, a história verdadeira foi bem diferente. Conhece algum remédio caseiro contra a diarréia? Tio Militão conhece uma melhor! Sabe quem realmente descobriu a penicilina? Tio Militão tem uma informação que vira de ponta cabeça tudo que se sabe a respeito. Segredos do pentágono guardado a sete chaves? Ungüento capaz de curar ferida brava? Truque para deixar seu computador “tinindo”? Informações confidenciais do atual projeto em andamento na NASA? Chá capaz de acabar com a malária em um único gole? Ponto certo do cozimento da batata para fazer “aquele” nhoque? O que realmente levou Mikael Gorbachev a fazer a Perestroika? Mistura de ervas para arrancar carrapatos de animais? Tato capaz de perceber as diferentes regiões onde foram produzidas as mais finas sedas? Como dar o torque certo no parafuso? A maneira perfeita de montar e acender uma fogueira? Jeito certo de pendurar as roupas no varal? Truque para deixar um churrasco macio? Planta capaz de fazer um cabra estéril ficar prenha? Não importa o assunto, Tio Militão tem a resposta na ponta da língua! O que? Você também conhece alguém que saiba todos estes segredos? Vamos torcer para que os dois nunca se encontrem!
Não posso deixar de vir aqui publicamente expressar a minha profunda indignação pelo ataque que está a ser infligido às nossas queridas professoras, no sentido de as obrigar a cumprir o horário de trabalho. Trata-se de enorme violência para as próprias, para os alunos, suas famílias e população em geral.
Sim, porque não são só as professoras que sofrem com esta despudorada medida, que lhes coarcta o legítimo direito a dar umas voltinhas pelo shopping para espairecer de terem de aturar a cambada de energúmenos que se sentam nas carteiras das salas de aula e lhes limitam fortemente a possibilidade de desenvolver acções de formação permanente mediante o visionamento na televisão de vários programas instrutivos e outros que espelham bem o sentir da sociedade em que nos inserimos, como é o caso das telenovelas e dos concursos onde os docentes iam actualizando os seus conhecimentos.
Aos alunos a medida também não agrada, já que o grau de irritação dos professores tende a aumentar exponencialmente, diminuindo o nível de tolerância às graçolas e aumentando a repressão que sobre eles se abate.
A população em geral tem também vindo a sofrer as consequências, já que não há família em Portugal que não tenha no seu seio uma prima ou uma tia pertencente à prestimosa classe docente que lhes seringa constantemente os ouvidos com a injustiça que sobre eles recaiu. Toda a gente sabe que a grande motivação para passar uma vida a aturar miúdos malcriados era a possibilidade de ter umas férias decentes e de não gastar mais do que meio dia nas aulas ficando com o resto do tempo por conta. Se querem agora obrigar os desgraçados a picar o ponto de sol a sol lá se vai o interesse da função. Uma das grandes preocupações das professoras em relação a este novo regime que as obriga a ficarem na escola para além das aulas é não saberem muito bem como é que poderão ocupar aquelas horas, já que, como é óbvio, ninguém está interessado em usá-las a trabalhar, quanto mais não seja por pirraça e para chatear o ministério.
Para minorar a sua dor, posso dar aqui algumas sugestões para o melhor uso do tempo disponível. A actividade mais apropriada é a de curtirem com outros professores do sexo oposto, que também andam por ali sem saber o que fazer. As escolas são em geral pródigas em recantos escuros e salas vazias que propiciam o desenvolvimento da prática. O único óbice resulta do reduzido número de homens, pelo que a coisa só pode ser feita em regime rotativo ou fica reservada só para as mais dotadas, com exclusão dos camafeus e das que esgotaram o prazo de validade. Uma outra actividade a que se podem dedicar é ao jogo da lerpa. Para além de ser de fácil aprendizagem, propícia um grau de excitação próximo da sugestão anterior com a vantagem de o sexo dos jogadores ser irrelevante. Para os que não são capazes de uma coisa nem de outra posso alvitrar umas sessões de espiritismo com uma roda de professoras efectivas à volta de uma mesa pé-de-galo, a estabelecerem comunicação com almas penadas vindas do além.
Manuel Ribeiro Economista in notícias magazine
DIREITO DE RESPOSTA Caro Manuel Ribeiro,
Li, entre atónita e indignada, o seu artigozinho - o diminutivo, acredite, não é um mimo. Li, reli e só não decorei porque esse tipo de escrita é indigesta e corrompe a credibilidade jornalística. Assim, querido Manuel Ribeiro - amor com amor se paga - senti-me na urgente necessidade de responder à sua croniqueta com piropos semelhantes àqueles com que, jocosamente - senilmente ? - resolveu mimosear as docentes - no seu vocabulário deve apenas existir a palavra (in)decentes - deste país.
Para ser absolutamente sincera, o meu primeiro impulso foi votá-lo ao desprezo. Os seus escritos, e não apenas este, revelam a sua principal característica - o senhor é - ou julga ser - um marialva provocador, engraçadinho e digno de figurar, como herói topo de gama, nas revistas aos quadradinhos. Rara é a crónica em que não desabafa e deixa sair esse complexo de Édipo tão exacerbado que até mete dó. Raro é o texto onde não se constata que a suprema felicidade para si - e a solução para os muitos problemas que a sua personalidade apresenta - passa pela abolição dos direitos das mulheres - todinhos - e por uma carência doentia de acolher o maior número possível de “escravas” - moças desvalidas é como costuma apelidá-las, certo? - no seu “abrigo” ao qual, liricamente, chama de paraíso. Se eu não tivesse a certeza de que o meu amigo é um refinado idiota, seria tentada a crer que seria uma nova versão da madre Teresa ou, no mínimo, convertido ao poder de sedução das palavras do psicólogo Eduardo Sá, passara a ter como lema - chega-te a mim e deixa-te estar. Num ponto estamos de acordo, amigo Manel: na profunda indignação que, ao que parece, ambos evidenciamos. A sua, pelo que li, resultante de um qualquer recalcamento tido na infância ou na adolescência - Freud explicar-lhe-ia melhor; a minha… provocada pelo seu impudor, má formação, falta de nível , falta de carácter e, sobretudo, por um ego balofo, repugnante e anémico. Refiro-me ao seu, claro.
Sinto-o uma espécie de intelectual naftalinado a necessitar urgentemente de ser reconhecido pelo notário, acredita? Um beija aqui, beija acolá, pegajoso e incompreendido, predestinado à glória do… esquecimento. Ah… a só-literária vulgaridade! Por outro lado, o desconforto que me causou o seu black-out à minha profissão assenta num terrível receio que, em abono da verdade, me está a provocar náuseas e tonturas. Muito mal vai o país cujos jornais mais conceituados permitem que um qualquer aprendiz de aprendiz a jornalista se outorgue o direito de insultar, caluniar - a título de provocação? Não me faça rir… - com toques virulentos de sordidez e pouca vergonha, profissionais que, ao que tudo indica, não estiveram presentes no seu longo e penoso processo de aprendizagem… à distância. Tão à distância, amigo Manel, que nem uma gotícula de educação transparece no seu sebáceo discurso. Dar-se-á o caso de esse complexo, essa raiva desmedida contra as professoras deste país ter a sua origem em algum caso mal resolvido com alguma delas? A minha curiosidade aguça-me o espírito e a maledicência. Teria sido com uma dessas a que, carinhosamente, cataloga de camafeu ? Seria com uma, segundo as suas vernáculas palavras, com prazo fora de validade? Ou, pelo contrário, com uma, seraficamente, apelidada de bem dotada? Assim a modos que mente sã em… corpo são, não? Creio que me faço entender… Não adianto mais este meu interessante périplo porque, pelo que li, cowboys que gerem de um modo diferenciado os seus afectos não fazem parte da sua lista… Honni soit qui mal y pense!
Ó Manuel Ribeiro, então o meu amigo pensa que os professores deste país andam por aí a jogar à lerpa? Está muito enganado. Logo o senhor que se diz um exímio conhecedor de almas e de... professoras e professores. Citando Saramago – o do prémio Nobel… não sei se conhece… - “ O professor, hoje, é um herói. Precisa de ser corajoso, por vezes até a nível físico”. E como o grande escritor está coberto de razão! Ser professor, nos dias que correm, é uma verdadeira missão. Sem estímulos adequados, sem remunerações compatíveis e muitas vezes sem condições nenhumas, os bons professores são todos aqueles que não desistem de ensinar. E de aprender. Que é uma coisa que um aprendizeco a jornalista não pode compreender porque lhe falta inteligência. E muita sensibilidade. E carradas de polimento. E montanhas de originalidade e de talento. Por outro lado, orgias e outros bacanais afins estão mais indicados a serem praticados em pasquins e, de preferência, tendo como jogadores economistas maníaco-depressivos e com um trauma compulsivo contra… mulheres.
Quer um conselho de amiga? Se fosse a si, não vá uma dessas queridas professoras dar-lhe um pontapé igual ao que escolheu como marca prestigiosa dos seus artigos - o que demonstra que o meu amigo além de asno, é um asno violento - fazia como o Dâmaso Salcede. À cautela, ia-me raspando para o Iraque! Acredite, as queridas professoras, reconhecidas, agradeciam!
De uma fervorosa admiradora, Ana Rodrigues
Nota: Concordo quando afirma que, no ensino, predomina o sexo feminino. Às mulheres sempre coube a graça de dar à luz e de ser fonte de luz. Espero que, de igual modo, concorde com o meu atento reparo – economistas, em Portugal, é carreira onde predomina o chamado sexo forte. Será que com tanta crise – basta ver-se a nossa economia – os tais jogos de sedução que nos aconselha não se aplicarão mais a quem - habituado a números que nada dizem - usa as palavras como o prelúdio de uma grande façanha amorosa que, invariavelmente, se resume a… nada vezes nada?! http://olhardomiguel.blogspot.com
No meu país de Abril, houve cravos, cantigas, alegria, houve um povo gritando em harmonia - Liberdade aconteceu, não é ardil! No meu país liberto do rosto do fascismo, ditadura, o coração saltou, rubro, desperto, para uma vida nova sem negrura, onde o sol brilharia para todos, como seara loira já esquecida de tormentosa geada acontecida.
No meu país, gesta de um povo lutador, ânsia de um povo sofredor, gávea do sonho e do alento, a força da razão estabelecia que o povo entoasse a canção do vento contra a lei alienada da opressão.
No meu país de sol e maresia, era o povo que ordenava, era o povo que dizia - "Em cada esquina um amigo, Em cada rosto igualdade, Terra da fraternidade".
Hoje, no meu país de Abril, de palavras esquecidas, tão pisadas, de palavras sem eco, sepultadas, que diz o vento que passa?
Os versos de Vinicius "Que não seja eterno, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure...". Estas são palavras de alguém que já sente que o amor está acabando - como a chama de uma vela que termina. Mas é isso que quem ama não aceita. O apaixonado prefere as imortais palavras de Heine: "Eu te amarei eternamente e ainda depois".
A esperança perecera e nada havia no horizonte a não ser bruma e lodo, estilhaços perdidos em paisagens espremidas entre os muros. Alucinações decalcadas de frutos perseguiam rastros de pardais, pássaros urbanos sobrevoando os monturos.
Cedo nos despimos de nossa nostalgia e o tédio de existir nos relembrava a sede, mais que fome; o ódio mais que a espera. Guardei no pensamento uma palavra que nada nos dizia e sempre a repetia como um carrossel girando em rolamentos.
As palavras são ruídos, com pedras atiradas que se chocam e sons que se propagam no âmbito de quadros carentes de harmonia. Misturam-se com as cores desenhadas no caos de tons noturnos, na configuração dos espaços violentamente limitados.
Há em mim uma imensa alegria contaminada de Outono – não é plena Primavera a alegria e variegadas tombam as folhas outonais como lágrimas; às vezes incompleta a tristeza sorri como olhos luminosos de uma luz nascendo da sombra. Não a conheço, a sombra. É verdade que o caminho me foi trazendo como transeuntes separações e lutos que fui vestindo de esperança ausente. Às vezes sem dar por isso.
É verdade e eu sinto-o intensamente, levaram a árvore da vida os meus progenitores. De certo implantaram a sua árvore na ausência, lá longe, tão longe que não sei o caminho. Tinham lá já meia dúzia dos seus frutos. Não os censuro. De certo sentiam-se sós como eu agora. Perder os frutos é uma imensa elegia. Um sétimo fruto quis também a seiva da árvore e precoce partiu, aumentando o vazio. A ausência é sempre dolorosa e o tempo agiganta a sua dimensão. Mas o tempo tem a sua ciência e crua explica a razão da ausência.
Encontrámo-nos no tempo fugaz de um desejo. Na junção de vontades e na volúpia do prazer descobrimos um brilho impensado na opacidade da noite.
Quase devotos nos primeiros beijos, austeros nos contactos, desatámos nós e nos deixámos prender até à exaustão provando o sal do suor dos corpos agregados.
Pegue um sorriso e doe-o a quem jamais o teve... Pegue um raio de sol e faça-o voar lá onde reina a noite... Pegue uma lágrima e ponha no rosto de quem jamais chorou... Pegue a coragem e ponha-a no ânimo de quem não sabe lutar... Descubra a vida e narre-a a quem não sabe entendê-la... Pegue a esperança e viva na sua luz... Pegue a bondade e doe-a a quem não sabe doar... Descubra o amor e faça-o conhecer o Mundo...
Estamos na Semana Santa. Um tempo em que deveríamos pensar mais nas nossas culpas e erros e nem tanto nos dos outros. Um tempo em que a palavra responsabilidade não aparecesse farisaicamente, descaradamente viciada, oculta. Um tempo em que, como Pilatos, não nos bastasse lavar, cobardemente, as mãos e fechar os olhos. Há homens que choram, sofrem e morrem. E há guerra, fome, fanatismo, intransigência, exploração, medo, marginalidade, discriminação... Tantas são as cruzes que o homem carrega! Talvez seja o tempo de entrarmos nos nossos corações, no mais fundo e íntimo das nossas almas, e aprendermos a carregar a cruz da nossa imperfeição, das nossas limitações, da nossa fragilidade. Não podemos continuar a fingir que não vemos. Não podemos continuar a falar em Deus - um Deus de todos, sobretudo dos mais pequenos - e a colocar velas ao diabo. Não podemos continuar a nadar no rio tumultuoso da injustiça e da permissividade com choros e lamentos de carpideiras pagas à hora. O mundo seria um lugar bem melhor se todos dividíssemos o peso das cruzes de que urge libertarmo-nos. Porque, ao carregá-las e ao partilhá-las, estaríamos, com toda a certeza, a caminho da salvação. Da nossa e a da Humanidade.
A sua história foi escrita no século XVIII por um padre que assinou com um pseudónimo, o "El Burlador de Sevilha", e que contava as aventuras de um conquistador nato, mas frio e cruel, que seduzia as mulheres e depois as abandonava sem cumprir as promessas feitas. Dizia D. Juan no livro: "Sevilha às vezes chama-me O Burlão, e não há nada que me dê mais prazer do que seduzir uma mulher e deixá-la sem honra". Esta personagem, infelizmente, tem correspondência real. Com homens habitualmente bonitos, cheios de charme e com o dom da palavra, capazes de atrair a atenção mesmo da mulher mais avisada. Havia-os no século XVIII e há-os hoje. Não só nos filmes - Hollywood apaixonou-se pelo tema - como nos livros. E quantos conhecemos? Quantos capitães-Robys, que vistos de fora parecem os mais evidentes burlões mas que, na realidade, têm certamente um charme ou uma magia escondida que faz com que as mulheres se deixem levar na sua cantiga, contra todos os argumentos e, pior, contra todos os factos. Mesmo aqueles que estão mesmo à frente do nosso nariz. A capacidade de agir contra as mulheres sem o menor remorso, a capacidade de mentir sem aparente consciência que o fazem, a habilidade para jogar em vários tabuleiros de uma só vez, o jeito para enganar e o facto de não ficarem minimamente perturbados com a auto-destruição - psicológica e física - do objecto do seu pretenso amor, fascinam há séculos psiquiatras e estudiosos do comportamento. Freud estudou o fenómeno D. Juan e a conclusão psicanalítica era, em termos simples e tanto quanto um leigo pode perceber, que estes homens sofrem de um complexo de Édipo mal superado. São internamente obrigados a seduzir mulheres, entregam-se à conquista e à sedução mas, uma vez na "posse" daquela pessoa, compreendem que ela nunca pode preencher o ideal de mulher que têm dentro de si e que é a mãe. Mas o que mais fascina a quem vê de fora um D. Juan em acção é a estupidez feminina. Pronto, são habitualmente bonitos, simpáticos e, sobretudo, praticam eximiamente a arte da lisonja. Mas habitualmente, por serem extremamente superficiais, por terem uma enorme incapacidade de compreender o que o outro sente, por serem desprovidos de empatia, soam a falso. Mas as mulheres vítimas destes D. Juans sofrem também de um síndrome qualquer. Habitualmente carentes, não se têm em grande conta e rapidamente se deixam enfeitiçar pelos elogios e os salamaleques destes homens. Ou então agarram-se à ideia que com elas vai ser tudo diferente. Acreditam que o D. Juan acaba por ser castigado, apaixonando-se de verdade. E elas acreditam, com a mesma fé de quem compra a Lotaria, que serão elas a marcar esse momento. Para essas vale a pena aconselhar uma visita a um site da Internet chamado " The Don Juan Center" em www. sosuave.com/. Logo a abrir a página pode ler "Nunca desista. E nunca, seja em que circunstância for, enfrente os factos". A autora é uma senhora chamada Ruth Gordon, provavelmente uma vítima passada ou presente de um D. Juan. De facto, o lema serve bem para os dois.
Minhas queridas amigas, isto de apanharem o jeito de “aniversariar” ao mesmo tempo… não dá. Em tempo de crise, de apertar o cinto, de simplex… quem tem a infeliz ideia de resolver fazer anos?! As meninas não sabem que os aniversários estão congelados?! Porventura, suas festivaleiras, ignoram que o governo está a estudar uma forma de só fazer anos quem tem formação para isso? Assim, a reforma estará cada vez mais longe, porque cada década passará a contar por um ano. E o problema - já dogma - da (não) idade das mulheres deixará de existir. Dificilmente, alguma passará da puberdade… Estes iluminados sabem o que fazem. Tudo, afinal, tão simples – Simplificar! Desburocratizar!
Lembrem-se de que há um tempo para folgar e um tempo - imenso - para trabalhar. Um tempo para pagar impostos e um tempo para continuar a pagar mais impostos. Um tempo para festejar um único aniversário – os cem anos – e depois disso… adeus!
Assim, espero ter apenas de as felicitar - e presentear - daqui a uns… dez anitos?! Até lá, e por Decreto-Lei nº 333/06 de 11 de Abril, os aniversariantes são considerados excedentários. Logo, sem direito a ter direito a apagar velinhas, receber beijinhos e outras lemechices terminadas um inhos/inhas.
Alínea x) - Como a Sónia é sobrinha de um secretário de estado e a Mo pertence aos quadros do Belmiro de Azevedo, as medidas acima referidas não são, democraticamente, aplicadas a ambas - Decreto-Lei nº 334/06 de 11 de Abril
Resolvi pontuar o amor com o rigor de uma objectiva exacta, atenta a todos os gestos (mesmo os pequeninos) esquecidos na memória do nada além do nada.
Coloquei uma, várias vírgulas nos sorrisos cansados de caminhos sempre iguais. De seguida, desaguando de dois pontos, (escritos sempre à pressa) alinhei dúvidas, manhãs de neblina, noites de chuva, vozes perdidas nas emboscadas do silêncio, esperas confiantes, respirações suspensas sobre esquivas esperanças.
Circundei o presságio do fim com um ponto de interrogação. Agitei, persistente, as emoções, alicerçando-as sobre pontos de exclamação. Misturei, com carácter de urgência, promessas, carícias, ondas de desejo, senha e contra-senha que acendessem, espontaneamente, a fugacidade do deslumbramento.
Sublinhei, decorei, gravei (tentando convocar momentos de felicidade fugidia, telegrafada, precária) teorias, ensaios, tratados sobre o amor. Tudo se perdia na sombra do fim, numa afirmativa forma de dizer adeus.
Toquei a fragilidade encoberta do amor com parêntesis, períodos e parágrafos. Tentei sustê-la com vírgulas, exclamações, reticências e interrogações.
Numa certa manhã, enquanto fazia minha caminhada, tive a atenção desviada para um casal de idosos. Eles não caminhavam mais, apenas deslizavam a um quarto de passo por vez. Não tinham pressa, e creio que nem conseguiriam ter, mesmo que quisessem. Suas feições eram de fragilidade, mas havia um não sei quê de serenidade nelas. Caminhavam de mãos dadas, com os dedos entrelaçados, parecendo bem apertadinhos. Eram magros. A pele denunciava a longevidade dos dois. As veias pareciam que iam saltar a qualquer momento. Minha imaginação fez com que eu voltasse ao tempo em que os dois se conheceram. O primeiro olhar. O primeiro sorriso. E, por fim as juras de amor que fizeram. A garantia que cada um deu ao outro de permanecerem juntos tantos nos momentos bons como ruins. E sem dúvidas que eles tiveram tais momentos! Quantos risos e lagrimas no decorrer de tantos anos! E lá estavam eles, andando, ou melhor, deslizando lado a lado com os dedos entrelaçados cumprindo as juras que fizeram a cinqüenta, sessenta, setenta anos atrás, ou até mais do que isso. Eu, que testemunhei tal momento sublime, achei, naqueles dedos unidos, inspiração para escrever o seguinte poema:
JURA DO AMOR ETERNO
Estou à procura de você Para fazer parte de mim!
Que seja mulher cuidadosa Naquilo que diz e que faz. Que seja mulher carinhosa Fazendo o que me apraz
Que se agrade da chuva Mesmo se estivermos na praia! Que um copo pelo meio Pareça a você quase cheio!
Que eu lhe seja mais importante Do que a novela das nove!
Que acaricie meu rosto; Afague o meu cabelo; Beije os meus lábios E me ame de verdade!
Que, na minha aflição, Saiba estender sua mão. Ao me ver desnorteado, Não me deixe isolado!
Que não queira competir, Antes, porém, Unir nossas forças.
Que não se ludibrie Com novas filosofias, Nem acredite em conselhos De revistas femininas.
Que, além de minha amada, Seja também minha amiga. Que eu continue sempre Sendo seu único herói!
E, se um dia você for rainha, Que eu seja escolhido seu rei!
Não quero que se entregue Inteiramente por nada. Prometo ser todo seu, Será sempre a minha amada!
Lá no tapete da sala, Serei o seu cavalinho. Carrega-la-ei nas costas. Irei até pinotear!
Irei beijar os seus lábios; Colocá-la em meu colo; Afagar os seus cabelos; Acariciar seu rosto; E, mirando em seus olhos, Enxergarei sua alma E direi, com todo fervor: Amo você, meu amor!
Se quiser que eu lhe prometa, Este é um juramento meu: Será minha Julieta E eu serei seu Romeu.
Se for minha Cinderela, Serei seu príncipe encantado. Porém, se for minha bela, Jamais serei uma fera, Só serei o seu amado!
Mesmo que eu jamais seja rei, Sempre será minha rainha!
Estarei sempre ao seu lado, Para o que der e vier. Saberei rir com você E com você chorarei.
Quando faltar programa, Será um imenso prazer Rodar numa simples praça Segurando sua mão!
Jamais alegarei cansaço Quando me desejar. Irei envolvê-la em meus braços, E, com muito carinho, Entregando-me de corpo e alma, Esperarei seu momento.
Irei estreitá-la em meu peito, Unir nossos corações Que, ao baterem tão forte, Lembrarão o Olodum!
Quando sentar no sofá, Seu lugar será ao meu lado. Irei beijar os seus lábios; Aconchegá-la em meus braços; Afagar os seus cabelos; Acariciar seu rosto; E, mirando em seus olhos, Enxergarei sua alma E direi, com todo o fervor, Amo você, meu amor!
Embora me importarei Se o mundo estará bem ou mal, Você será mais importante Do que o “Jornal Nacional”.
Quero ser sua metade E que você seja a minha! Quero ser sua alma gêmea! Nós seremos carne e unha!
Não quererei casa na praia E nem um carro de luxo. Tampouco qualquer iate. Nem mesmo um alto salário.
Não quererei muito ouro, Pedras preciosas, ou gemas. Porque meu maior tesouro, O meu bem mais precioso, Será você ao me lado!
Irei beijar os seus lábios; Afagar os seus cabelos; Acariciar seu rosto; Estreitá-la em meu peito, E sentir seu coração Bater pertinho do meu!
Irei mirar em seus olhos E enxergar sua alma. Segurar em suas mãos, Encostar meu rosto no seu, E sussurrar em seu ouvido, Ainda com o mesmo fervor: Amo você, meu amor!
Quando a velhice chegar, Ainda irei, acredite, Mesmo que sofra de artrite, Lá, no tapete da sala, Ser o seu cavalinho E carregá-la nas costas. Perdão se eu não pinotear!
Irei beijar os seus lábios; Colocá-la em meu colo; Afagar os seus cabelos; Acariciar seu rosto; E, mirando em seus olhos, Enxergarei sua alma E direi, com o mesmo fervor: Amo você, meu amor!
Quando a morte, por inveja, Vier me tirar de você, Porei minha cabeça em seu colo, E, se ainda me for possível, Irei beijar os seus lábios; Afagar os seus cabelos; Acariciar seu rosto; E, mirando em seus olhos, Enxergarei sua alma. E, num esforço hercúleo, Farei questão de falar, Perdoe-me se eu não conseguir. Então tentarei murmurar Minhas derradeiras palavras, Sempre com o mesmo fervor: Amo você, meu amor!
Adorei a nossa noite! Obtive respostas a várias interrogações e confirmei outras tantas certezas. Gosto de ti! Por ti! Pela tua individualidade, pela tua personalidade, inteligência, por tudo. Além disso és um homem lindo! Nunca te esqueças da Descoberta… E mesmo depois de teres definido as tuas regras continuo a dizer-te o mesmo – gosto de ti. Já te provei que, por mais rígidas que sejam, eu as cumprirei. E tenho cumprido! Senti-me particularmente feliz quando, perante todos os nossos amigos, assumimos a intimidade. Sabes que sou rebelde por feitio, inconformada por natureza, e deu-me particular prazer ter rasgado o “código de boa conduta”. E adorei dançar! Mãos que tocam, corpos que se unem, não ao ritmo da música, mas à cadência do prazer. Senti-te a pele, o músculo. E as tuas mãos vagueando no meu corpo. Depois, a sós, com os olhos decorei-te a expressão, com o tacto decorei-te as formas. Agora posso ter-te, sempre. Entranhaste-te no mais profundo de mim. Acredita. Adoro-te! E no último beijo não houve despedida só o lacre da continuidade. Estarei distante quando leres esta carta, mas espero que suficientemente próxima para saberes da veracidade de tudo que te escrevo. Acredito que sabes a falta que me faz este abraço… E se as saudades apertarem…we’ll always have Brussels…
Levam de terra em terra a alma Despojados de bens – só os essenciais Interessam e o amor centrado num círculo Apertado: a família alargada.
Levam de terra em terra a alma E os hereditários sentimentos Despojados de casa – só a tenda da vida Interessa e constitui o linho familiar, O sorriso terno dos meninos.
Levam de terra em terra a alma E a tristeza trazida pela mão transida Da morte – definitiva ausência – Despojados da imagem – só vestidos De negro, de alto a baixo, e envolvidos No linho tecido da memória rente ao coração.
Levam de terra em terra a alma E o sentir doloroso e nómada Despojados quase da solidariedade Alheia, eivada de xenofobia – só interessa Afinal a simplicidade amada de nascimento.
Levam de terra em terra a alma Poucos haveres, muitos sentimentos E o canto e a alegria de um povo milenar, Um povo habitado de magia e ambição – são os ciganos – leves, nómadas, fraternos.
Os vendilhões fossilizados dos Templos vendem, trocam tudo ao desbarato, num frenesim, num delírio de comércio sem regras, sem moral e sem recato. Vendem graxa, mentiras cruzadas a ponto cruz, verdades laváveis em detergentes de truz. Vendem sonhos, vendem Deus, vendem a alma com artimanhas de leiloeiros, num mercado de agiotas, fariseus, missionários de algibeira prontos a converter - dura canseira ! - as ovelhas tresmalhadas, vulgarmente ranhosas, que ousam, num atentado ao (in)pudor, à (i)moralidade pública, ao bom nome dos santos e esquecidos mandamentos cristãos, mandar tudo às urtigas, fazer-lhes figas, e em versos de dúbio sentido, anilhada ironia, proclamar, por decreto-geral, guerra aos vendilhões, aos que nos vendem gato por lebre, nos impingem, de barriga cheia, a sua fome de, na lama, chafurdar.
Aos vencidos que se dizem vencedores! Aos que nos querem enganar com parábolas de amor em banho-maria, empacotadas emoções, bélica harmonia de celestiais predadores!
Enfim, aos torcidos, retorcidos camaleões!
Angel & Digoeu
Nota: Foi, efectivamente, uma brincadeira nossa - minha e da Angel - para "festejar" o dia 1 de Abril. Todavia, é verdade que ela escreve bem... só é preguiçosa!