One by one, the chains around me unwind Every day now I feel that I can leave those years behind
I’ve been thinking of you for a long time There’s a side of my life where I’ve been blind and so…
I’ve been searchin‘my soul tonight I know there’s so much more to life Now I know I can shine a light Everything gonna be alright I’ve been searchin’my soul tonight Don’t wanna be alone in life Now I know I can shine a light To find my way back home
No centro o largo da Sé e sua catedral. Na área nobre os exploradores. Na periferia os explorados. Casas novas e velhas; grandes e pequenas; ricas, pobres e miseráveis. Em cada casa a morada de uma emoção. Alegria; Tristeza; Medo; Coragem; Timidez; Desembaraço; Amor; Ódio; Solidão; Amizade; Apoio; Abandono; Certeza; Dúvida; Perdão; Rancor. Grande ou pequena, rica ou pobre, famosa ou desconhecida, todas as cidades são iguais!
Careço de um beijo. De um beijo apaixonado. Pode ser seco ou molhado Só não pode ser roubado.
Deve ser um beijo genuíno Que faz do coração um tambor. Tem de ser com muito amor, Fazendo, do homem, um menino.
Pode ser simples ou complexo, Elaborado ou comum. Não importa se lógico ou sem nexo, Mas que tenha gosto de mais um.
Pode ser, por exemplo, À flor da pele. Nossos corpos apenas se tocam; Nossos braços nos enlaçam Sem, no entanto, nos apertar; Apenas roçam nossas costas. E nossos lábios apenas se encostam.
Pode ser, também, apertado; Nossos corpos amalgamados Numa só massa; Nossos corações unidos Fazendo um dueto de percussão, Enquanto nossos lábios esmagados Dificultam a respiração.
Ou um beijo sem qualquer contato. Nós inclinamos nossos corpos; Nossos lábios apenas se tocam E mutuamente se roçam.
Quem sabe um beijo Hollywoodiano! Nos avistarmos de longe: Corremos ao encontro um do outro: Você pula no ar e, Ao sustentá-la pela cintura, Giramos suavemente enquanto Nossos lábios se encontram.
Ou, talvez, um beijo litorâneo. Nos encontramos na praia; Você corre ao meu encontro; Os braços estirados para frente; O vento batendo em seu rosto; Os cabelos soprados para trás; No encontro você pula, Prende as pernas na minha cintura, Enlaça meu pescoço E sufoca-me com um beijo apaixonado.
Por que não um beijo circense? Eu em um trapézio Você em outro; Os trapézios se balançam; Nós, de pé sobre eles, Esperamos o momento certo. Com o vento soprando nossos cabelos, Nos atiramos no vazio E nos abraçamos. E, enquanto caímos na rede, Nos beijamos no ar.
Beijo balé existe? Se não, podemos criar. Nós dois rodopiando; Os braços esticados acima da cabeça. Nos encontramos no centro, Um do lado do outro. Você apóia as costas em meus braços, Inclina seu corpo para trás, Inclino meu corpo em direção ao seu. De repente levantamos num pulo E, rodopiamos em sentidos contrários, Paramos lentamente um ao lado do outro. Graciosamente nos ajoelhamos; Nos abraçamos; E terminamos o espetáculo com um beijo.
Não interessa que beijo seja. Pode ser simples ou complexo, Elaborado ou comum. Não importa se lógico ou sem nexo, Mas que tenha gosto de mais um.
Seja que estilo for, Deve ser um beijo apaixonado. Não pode ser por piedade, Nem pode ser por obrigação. Tem de ser um beijo de verdade, Bastante carregado de emoção.
Ao receber um beijo destes Não precisarei de mais nenhum, Pois a emoção será tão grande Que não suportarei a dose E, com um sorrindo nos lábios, Morrerei, feliz, de overdose!
- O que você ta pensando, Teco? - No que a pefessora falou. - Não é pefessora, é prefessora, seu burrinho. - Plefessora? - Que seja, vai. O que ela disse? - Pofissão. - O que é isso? - É o que a gente vai fazer quando crescer. - Hein? - Du que a gente vai trabalhar, oras! - E por que você ficou pensando nisso? - Por que eu num sei o que quero ser. Conheço pofissão de pedreiro, jornaleiro, padeiro, sapateiro e pintor. Mas parece que nenhum deles ganha muito dinheiro. - É por causa dos Zotos? - Zoto? Quem é Zoto? - Iiiii bobinho, num é um só não, são muitos. - Como você sabe disso? - Eu escutei meu pai falando com o meu tio Zulmiro. - E o que foi que ele disse? - Meu tio Zulmiro tava reclamando que foi pegar um dinheiro na prefeitura, mas não conseguiu. Aí meu pai falou que foi o Zoto que não deixou. - Por que ele não vai a outro lugar? - Ele já fez isso e não deu certo. - Por que? - O Zoto tava lá também. - Êeeeita! Ele tá em todo lugar? - Meu pai falou que sim. - E não pode colocar alguém vigiando pra não deixar o Zoto entrar? - Eles fazem isso, mas não adianta. - Uéééé! Por que não? - Tinham muitos Zotos vigiando para o Zoto não entrar. - Puxa vida! Tem Zoto pra tudo que é lugar? - Num foi o que eu falei! Tem Zoto que não acaba mais. - E não pode colocar alguém pra vigiar quem vigia? - Já tem isso também, menino! Mas tem Zotos no meio deles. - E por que os Zotos não querem que a gente receba o que tem direito? - Por que eles querem ficar com tudo. - Êita nóis! Eles são ladrões, é? - Nunca mais fale isso, Teco. Um dos Zotos pode escutar e ficar bravo. - E se a gente chamar... - Não adianta. Lá tem Zoto também. - E se falar com o... - Lá também tem. - E se a gente fosse na... - Não ia adiantar nada, porque lá tá cheio deles. - E se a gente falasse com o maior dos grandes dos grandes? - Piorou mais ainda. - Por que? - Lá tem cada Zotão deste tamanho assim, ó! - Que dizer que tá tudo nas mãos dos Zotos? - Pior que isso, Teco, estamos todos nas mãos dos Zotos.. - Então já resolvi o meu pobrema. - Como assim? - Quando eu crescer quero ser um dos Zotos! - Eu também!
Como defesa pessoal, em lugar de um uppercut rápido e eficaz usava uma máscara.
Cordial, simpática, nada assustadora. Usava-a como defesa, dizia. Das suas fraquezas ou inseguranças que, por serem humanas, eram por demais naturais.
Usava-a para não sentir a falta de alguém ou para negar a falta que sentia. Usava-a para cativar. Alguma agressividade e rispidez, uma certa revolta para com o mundo, usava-a para justificar uma cómoda inadaptação ou uma incómoda adaptação.
Retirava-a só quando escrevia. Então era capaz de belíssimos textos. Sentidos, atentos, oportunos. Uma escrita despojada, directa, que deixava antever um ser complexo.
Retirava-a noite dentro quando se achava sem necessidade de defesas e era capaz de dizer “gosto”.
De tanto a usar colou-se-lhe ao ser e foi incapaz de viver sem ela.
Quando realmente sentiu que queria dizer “gosto de ti” as sílabas doeram-lhe na voz, eram estranhas. Como se o mais visceral de si regurgitasse automaticamente sons indecifráveis. Vergou-se com o peso dessa fraqueza, parecia-lhe que o seu ser se rebelou e se transformou num autómato, deixando-lhe aos ombros uma carga inútil.
Mas ninguém acreditou em vocábulos atirados ao vento, cheios de significado, vazios de contexto.
Fez um esforço enorme para que tudo soasse verdadeiro, real, autêntico. Mas o hábito de silêncio que usara como religião, criou nos outros a distância dada aos ascetas e sua voz ficou a reverberar sem fim ecoando estranhamente uma única sílaba “…te”.
Só um grupo restritíssimo conseguiu perceber o fundo daquela alma.
Dois anos passaram com o vento. Na delicadeza doce do teu rosto, na leveza dos teus gestos, na transparência acesa do teu olhar viajam prodígios. Viaja a vida. Será, tenho a certeza, um percurso - longo e feliz - povoado de muito amor e do carinho dos que te querem bem. Soam promessas dentro de ti. Escrevem-se esperanças dentro de mim. Gosto muito de ti, Rodrigo. Um beijo.