folhasoltas
Sábado, Outubro 28, 2006
LEGENDA
Ó Pátria mil vezes Santa
- Meu Portugal, minha terra
Onde vivo e onde nasci!

Na tua História me perco
E nela tudo aprendi.

Mesmo que fosses pequena
E eu te visse pobre ou nua
- Ninguém ama a sua Pátria por ser grande,
Mas sim por ser sua.


António Botto
posted by romeo_angel @ 22:05   8 comments
Quarta-feira, Outubro 25, 2006
Ao teu gosto

Derrama
a tua voz
lentamente
em autoritários murmúrios.
Displicentemente
crava-me
toda a espécie de beijos.
Agita
a minha pele
com o ínfimo e íntimo
sopro
da tua respiração.
No meu corpo
árido de desejos insatisfeitos,
faz de ti o explorador
e de mim coisa estudada
com minúcia e precisão.
E quando eu te devolver
o mais louco dos olhares
e a mais rouca das palavras,
desce,
sobre mim,
num quase brusco
voo picado
que de descendente
será
o ascendente e ilimitado
prazer de ambos.


Laura Miller
posted by Breakeven @ 21:24   6 comments
Sábado, Outubro 21, 2006
E Por Vezes


E por vezes as noites duram anos
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

David Mourão-Ferreira
posted by digoeu @ 12:40  
Sábado, Outubro 14, 2006
Rendez-vous


“És minha!” A voz saiu-lhe mais rouca e sexy que nunca, o olhar aguçado e febril.
Agarrou-lhe o cabelo e beijou-a de raiva e paixão. Mordeu-lhe, com força, o lábio inferior e sentiu o gosto da posse. Prendeu-a a si íntimos e carnais minutos.
Completamente fêmea, ela deixou que ele a conduzisse. Nua, sentada ao seu colo, ressaltavam as costas, as pernas e os sapatos pretos de salto bem alto, numa atitude felina que se revelava como a sua verdadeira natureza.

Tinham retomado há pouco tempo aquela relação muito própria, cúmplice, carnal, arrebatada. Estiveram muitos anos separados, sem que o tempo tivesse eliminado das mãos e dos corpos, memórias de rotas e destinos.
Só ele sabia cumprimentá-la, despenteando-a e passando os dedos na nuca. Só ela entendia nele determinado olhar e pequenas alterações de frequência na voz.
Existia entre eles esse jogo de comunicação íntima. Uma espécie de jogo confidencial, silencioso, de regras e códigos privados, deliciosamente excitante. Nos encontros em ocasiões sociais, escoravam o intenso desejo, alternando desafio com provocação.

Quando ela chegou, com avareza, lhe desapertou o vestido lilás e a pegou no colo. Ela, em investidas calculadas, oferecia a boca, o corpo e desafiadoramente o provocava com o olhar. Algemou-a. Ela adorou. No tom dourado da pele sobressaía o vison preto que revestia as sensualíssimas algemas.
Submeteu-se-lhe sem capitular, combateu sem lutar, opôs-se sem resistir.
Nenhum outro homem a sabia provocar e dominar. Nenhum homem a conhecia tão bem.
Algemaram os pulsos esquerdos como se fosse a realidade tangível daquele encontro, disseram frases de aparência desconexa e palavras sem sentido mas consentidas.
Na hora mágica do fim da tarde, sentados na varanda, bebendo café, conversaram imenso. Jamais tinham estado tão próximos, tão cúmplices, tão livres.
Também ela nunca tinha visto aquela luz nos seus olhos e pensou que ele nunca estivera tão bonito.
Se ele a descrevia dizendo que nela se misturavam um marcado ar selvagem e um intenso glamour, ela sentiu que nele se corporizava o mais sexy e atraente esbanjador de charme.


Marlene Dietrich
posted by Breakeven @ 20:21   6 comments
Sexta-feira, Outubro 06, 2006
Classificados


Procuro um coração que,
Na alegria ou na agonia,
Pulse junto com o meu
Numa fina sintonia.

Roberto Policiano
posted by Roberto Policiano @ 21:38   6 comments
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