O relógio bateu as onze horas. O ponteiro - movendo-se a cada sexagésima parte do segundo - corria, alegremente. A sala, quase às escuras, ar parado, parecia indiferente à temperatura amena que fazia sentir-se lá fora e ao som de vozes que vinham lembrar que era sábado. Estava, simultameamente, apreensiva e expectante. De vez em quando, ainda que contra a vontade e a lucidez, olhava o visor do telemóvel. Eram momentos intermitentes de possibilidade e de improbabilidade. Afinal, nunca se deve afirmar que se conhece alguém muito bem… Por minutos, a realidade revestia-se de contornos felizes e ela acreditava que ele iria aparecer. Mas, de imediato, o receio era difícil de controlar. Chopin fazia ouvir as suas mágoas num prelúdio para piano. Ela começava a sentir as suas. Começava, também, a ficar agitada. Há dois anos que aquela situação se arrastava. Dois anos é muito tempo a tentar encontrar certezas. Estava farta de representar o papel de mulher submissa, burra e cega. Uma presa fácil. Não. Estava a ser injusta. Os seus desencontros eram consequência do conforto desse engano com que ela pretendia vestir-se. Era ela que insistia em alimentar um amor desbotado. Sem força. Era ela que se esforçava por simular. Era ela a máscara. Um dia acabará tudo - dizia-se uma e outra vez. Como quando era adolescente e sonhava chegar a Ítaca. Içaria as velas e rumaria ao porto de cada emoção, de cada sonho. Nesse tempo, só precisava de uma alma que cobrisse tudo de uma poalha de luz. Nesse tempo… Agora, Ítaca estava cada vez mais longe e inacessível. Um lugar perdido no tempo. Subitamente, o toque do telemóvel trouxe para a ribalta a realidade. Era uma mensagem - "Queria dar-te os meus parabéns ainda hoje, mas não vou poder chegar a horas. Amanhã, festejaremos. Beijo". “Amanhã, festejaremos.”… E com estas simples palavras levava com ele o seu presente e o seu futuro. Em Ítaca, Penélope fechara para sempre o tear. A distância interior acabara por vencer a esperança.
E de novo a armadilha dos abraços. E de novo o enredo das delícias. O rouco da garganta, os pés descalços a pele alucinada de carícias. As preces, os segredos, as risadas no altar esplendoroso das ofertas. De novo beijo a beijo as madrugadas de novo seio a seio as descobertas. Alcandorada no teu corpo imenso teço um colar de gritos e silêncios a ecoar no som dos precipícios. E tudo o que me dás eu te devolvo. E fazemos de novo, sempre novo o amor total dos deuses e dos bichos.
“O Portuga é o português elevado à sua máxima impotência.”
Miguel Esteves Cardoso,”Portugas” in “A causa das Coisas”
Rua da Constituição. Sexta-feira. 16horas 07 minutos. 23 º. Um fotográfico sol de Maio. Trânsito relativamente compacto sem grandes paragens.
Embalada nas palavras de D. José que diz a Carmen “la fleur que tu m’avais jettée, dans ma prison, est restée….“rumava ao encontro da minha amiga Ana. Fosse pelo sol, fosse pela antevisão das conversas, é um facto que ia um pouco distraída. Eis que, vindo algures do meu lado direito, imprevisivelmente dilacerando o céu azul, uma espécie de OVNI empastelado. Nanossegundos entre perceber de que se tratava e arquitectar a defesa. Felizmente que, embora não sendo militar, sou muito rápida a reagir em situações de crise e a perceber o real alcance das ameaças. Ao meu lado rolava uma carrinha estilo “Ford Transit” conduzida por um excelso representante do tal Portuga, saindo das entranhas brônquicas deste espécime, vem o tal OVNI empastelado. Mais rápido que um relâmpago, mas fatídico como um terramoto, ergue-se disforme a tal matéria mucosa que assume para mim proporções gigantescas. Brusco movimento de volante, uma travagem seca e eis-me livre de tal percalço. Ainda para mais ia de tecto aberto… Recomposta do susto e desconhecendo a OTA do OVNI, ou seja, onde aterrou, continuei devidamente acautelada com a viatura rigorosamente fechada. E os carros descapotáveis? Terão algum resguardo invisível que os deixe a salvo de tais investidas?
No resto da distância revi mentalmente outros estranhos comportamentos destes meus compatriotas (Ah! Este termo é outro que tal….) Cheguei à conclusão que, a par deste pornográfico expor da expectoração íntima, o hábito que mais odeio é o palitar os dentes… sem palito. O truque é encostar a frente/lateral da língua aos dentes de cima e sai afinado e persistente o tal “tchtchtch”! Mais rápido e nervoso conforme o temperamento (ia arriscar a dizer tempero) ou mais vagaroso, saboreando o resto do cozido, este tchtchtch põe-me doida! Completamente doida! Ainda tenho a memória dos meu dezassete anos e de uma viagem de camioneta entre Amarante e o Porto, ainda sem auto-estrada portando demorando imenso, em que o passageiro do banco de trás todos os 50 km explorou, afinou, refinou o tique. O mais estranho é que este tchtchtch é a qualquer hora, antes de almoço, depois do lanche, às oito e meia ou ás onze da manhã, três da tarde ou cinco, sete ou meia-noite, tanto faz. Será que antes apura o gosto e depois ajuda à digestão? Alguém me explique, por favor.
Mas não fica por aqui. Há bem pouco tempo, num sábado super primaveril, passeando na Foz, a Ana e eu deparámos com algo que julgávamos extinto há muitos, muitos anos, eu até tive vontade de chamar o Prof. Galopim…- o tronco nu! Explicando. Homens para lá de obesos, exibem generosamente seus predicados, perdão, complementos directos, indirectos, circunstanciais de tempo e de modo, tudo devidamente paramentado com exuberantes pilosidades adjacentes. Um pavor! E não contentes com essa invasão do espaço público ainda se perfilam como se fossem o homem mais charmoso de todas as galáxias. Têm aquele ar de dizer “qual Geoge Clooney, qual Brad Pitt…!? Eu sou muito mais eu!"... Enfim! Os exemplares por nós observados postavam-se indolentes e paquidérmicos à beira-mar em garridas cadeirinhas de plástico às riscas. Alguns usavam mínimos bonés e outros acrescentavam ao quadro uma cerveja bebida pelo gargalo, claro. Provavelmente estarão consentâneos com aquelas mulheres, de todas as idades, tamanhos e feitios, que alinham na “Intifada” à balança, e que usam aquelas inomináveis calças de cintura descaída. Apertando, espremendo, esmagando, torturando as carnes, que ao mais pequeno movimento explodem e saem num júbilo desalmado como no momento de libertação de um preso político. Elevadas ao estatuto de artigo indispensável no armário de todas as mulheres, estas calças estão para a elegância como o jornal de ontem para as notícias de hoje, já passou à história, não serve para nada.
Duas notas finais: Primeiro faço um apelo aos empresários portugueses e lanço aqui uma campanha. Juntamente com os pacotes de leite poderiam ser distribuídos corta-unhas destacando uma frase do género: “Atenção: Se tiver a unha do dedo mindinho maior que as outras, não beba leite. Pode morrer”. Como os Portugas têm imenso medo de morrer iriam todos cortar as unhas. Vale? A outra nota é para José Sócrates. Em vez de se preocupar tanto com a aprendizagem do inglês, porque não se preocupa com os teeth dos portugueses? É que sempre que, na televisão, há entrevistas a gente deste Portugal lá aparecem meia-dúzia de desdentados! Parece que por alguma razão desconhecida, mas talvez à luz de Darwin, certos portugueses prescindiram do uso de dentes. Seria importante pensar na saúde e higiene oral deste povo. É que, além do mais, vendo também isto pelo tal prisma da língua inglesa, seria mais fácil depois pronunciar o tal som “th”…, por exemplo thought …
Nota de rodapé: Como anda tudo muito susceptível e com nervos à flor da pele, quero deixar bem claro que o título se refere aos hábitos, como é lógico. Nunca aos portugueses.
Marrecos de Baixo estava em alvoroço. Nem a romaria em honra de Nossa Senhora dos Atrofiados - mentais? - criava tanta agitação, tanta euforia, tanta discussão, tanto discurso carregadinho de pitorescas metáforas e de obstinadas asneiras. Que facto originara tal rebuliço? A morte imprevista de Augusto Macieira, abastado negociante de fruta, dono da mercearia-drogaria-café-restaurante “Piercing” - nome que a filha mais nova, repetente fiel do 8º ano, achara fixe e bué baril - e digníssimo presidente da Junta de Freguesia, despoletara uma crise de identidade naquela, até ali, pacata terreola. Depois do choque, dos pêsames e de uma sentida despedida acompanhada pela fanfarra do grupo recreativo da terra, o povo viu-se a braços com um terrível dilema - quem iria substituir o defunto? Que homem - mulher estava fora de causa visto que o mulherio da terra era quase todo loiro - dedicaria a sua vida em prol dos marrequianos? O padre Afonsinho, a pedido das beatas - sempre receosas do Apocalipse e crentes de que só o presidente da Junta e o santo do pároco poderiam resguardá-las das maquiavélicas conspirações de Satanás, um através das suas influências no céu, o outro através dos seus conhecimentos na terra - resolvera dedicar parte dos seus sermões a consciencializar as suas ovelhas da necessidade de escolherem um candidato inundado de espírito patriótico, bem falante, influente e carismático - no que se refere a este último adjectivo os eleitores ficaram um tanto ou quanto na sombra já que nenhum conhecia o significado da palavra. Contudo, e como voz de padre é voz de Deus, a partir daquele momento a palavra carismático passou a andar de boca em boca ainda que um pouco estropiada. Se alguém se lembrava de apoiar este ou aquele patrício, logo um coro indignado de vozes proclamava - esse não pode ser pois não é carimástico. Assim se enriquece a língua portuguesa! O certo é que as palavras do cura fizeram eco na consciência de alguns patrióticos e, como por milagre, os marrequianos viram-se, da noite para o dia, com três heróis e um independente. O primeiro era Serafim da Eira, ex-emigrante, seguido de Zé da Moina, ex-guarda republicano, Joaquim Louça, reformado, e Lourenço Pistácios, professor primário. A campanha decorreu em paz e concórdia. Como todas, aliás. Isto, claro, se apagarmos as rixas entre os apoiantes de Serafim e os de Zé da Moina - bem mais coloridas que as da claque dos dragões; os insultos de Louça a Pistácios que, como independente, prometera manter uma posição vertical durante toda a campanha eleitoral - desiludiu o eleitorado quando levou com um murro de um rufia, apoiante de um não candidato, que o deixou anestesiado e numa vergonhosa posição horizontal; os boatos criados pela viúva de Augusto Macieira que se aliara, de corpo e alma, ao ex-guarda, tendo, pelas provas de lealdade - e entrega total - sido nomeada mandatária da campanha do mesmo; e, finalmente, a “isenção” do padre Afonsinho que, por indicação divina, passara a ver no ex-emigrante o “eleito". O certo é que a oferta de um chequezito à igreja bem como a promessa de uma nova imagem - toda em mármore do Alentejo - da Senhora dos Atrofiados teria sido a principal razão da sua eleição - espalhava a língua viperina da viúva. Boatos, gritava indignado, do alto do púlpito, o pastor. À hora do fecho das urnas, ainda se desconhece o resultado. O padre, no entanto, festeja já a vitória - com espumante da Raposeira - em casa de Serafim da Eira. Não é em vão que as forças celestiais estão do seu lado. E as beatas também. Zé da Moina resolvera de igual modo celebrar, antecipadamente, a vitória com a sua viúva. Afinal, ainda que perdesse as eleições, tinha ganho a viúva e o seu - dela, está visto - farto pé-de-meia. Joaquim Louça, atacado por uma forte crise de reumático, amaldiçoava, entre ais e uis, os conselhos do seu mandatário que o aconselhara a uma campanha porta a porta. Já o professor, coitado, enquanto lia pela centésima vez uma carta da DREN incriminando-o de conspiração contra o governo e suspendendo-o das suas funções, jurava a si mesmo não voltar a meter-se em tais andanças. Jamais (citando o ministro Mário Lino)!
Nascera sob o signo de fados adversos, de mirabolantes premonições e de uma inclinação azarada para extremar atitudes, sentimentos e emoções. Era mesmo capaz de acreditar que, aquando do seu nascimento, uma fada, caprichosa e plebeia, resolvera presenteá-la com o seguinte dom - Nunca a tua vida deslizará morna e insensível como uma espécie de bocejo interminável. Terás o coração muito perto da boca, sobrevalorizarás detalhes, modelando-os de importância desvairada e trágica. Chorarás em memória de tudo e em memória de nada sempre perseguida por um talvez que acabará por ficar para amanhã. Amanhã a vida muda. Mas só mudará se não perderes tempo a adiá-la. Custava-te alguma coisa, fada malvada, mudar a ementa, limitando-a a carradas de beleza, inteligência e talento? - pensava. Picuinhas! E assim crescera: misto de Madalena de Vilhena - dividida entre presságios fatídicos, não sei o que me adivinha o coração e a chamada angústia para o jantar - e uma desconcertante Maria - a noviça de Música no Coração - forte como o vento, vulnerável como o ar, sem manual de regras, transgressora inconsciente do politicamente correcto, adepta fervorosa de paixões sofridas - daquelas que se encaixam num cantinho do coração e para as quais não há tecla de delete que as arraste para o limbo do esquecimento - enfeitando, sem bluff, a vida com risos e lágrimas num jogo de imponderáveis, linhas curvas, linhas rectas, subidas, declives, desencontros, laços, silêncios, murmúrios. Em suma, era uma trapalhona assumida, óptima a imaginar azares e desgraças - frenesins vários que só pioram as coisas - com uma vocação incrível para confundir gato por lebre, amealhando sonhos e desilusões - sempre dolorosamente vividas - com um autocontrolo oscilante e muito dado a desmoronamentos. Sabia, contudo, que a sua humaníssima fragilidade nada tinha a ver com aridez de fundo nem com atitudes acessórias, cretinizantes, medíocres. Pensando bem, ainda que a sua vida se alimentasse, algumas vezes, de chatices e inesperados acidentes, nunca se alimentaria de hábitos. E ainda que ela repetisse mil vezes - Não sei o que me adivinha o coração! - albergando mil probabilidades fatídicas, tinha como aliada esta certeza - nunca seria uma mera fotocópia de quem quer que fosse. A verdade é que a sua insustentável leveza era também orientada por um acentuado lado cómico. Transformava, num piscar de olhos, uma chuvada num dilúvio; uma cantilena ligeira numa ópera arrastada e trágica; uma falhazita quase invisível num erro cósmico; um aborrecimento em miniatura num sinal divino e punitivo; uma história feita de instantes numa epopeia desfocada… Enfim, era o que alguns apelidavam de pessimista jovial, alternando entre o mórbido e o anedótico. O seu lema? Para quê simplificar se posso complicar, era óbvio. E era certinho que complicava. Mas quando verificava - e, mais cedo ou mais tarde, acabava sempre por chegar a essa constatação - que a vida não custava assim tanto e não era o absurdo em que a pintava nem um campo povoado de malentendidos e de rasteiras invisíveis, enfrentava os medos e receios, lançava pela janela a sua realidade em pó, arquivava desgraças, aquietava a alma e, surpreendentemente, reconciliava-se com o mundo, com os outros, com ela mesma. Nascera sem imagem de marca. Uma fada, sábia e serena, ofertara-lhe um dom - saltar ou cair só dependerá de ti. E não faz mal cair. E sabe bem saltar.
Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor. Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo De resto não é lirismo Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbedos O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
Faltam-me as palavras porque tenho o teu nome gravado em cada poro do meu corpo, em cada ínfima parte da alma. Escrevo-o nos quatro cantos da folha como se, assim, pudesses aparecer no meio dela. Talvez, quem sabe, para te trazer de regresso à minha vida numa espécie de acto de ressurreição. Já escrevi tantas histórias, umas vividas, outras adivinhadas, mas nunca consegui abrir luz ao gesto de escrever a nossa. E não quero construí-la a partir do irreal ou do impossível. Por isso, ela acaba sempre por escorregar-me por entre os dedos, refugiando-se no não concreto e na mudez do desejo. Faltam-me as palavras. Não porque estejam gastas, mas porque nenhum milagre as acendeu, levando-as a dizer o que não dizem. O teu nome, porém, vive em mim como um inevitável toque de mão sobre o fogo. Movo-me entre o seu som reprimido e a tua presença ausente. Como que um enigma ininterrupto, interminável, cuja resolução, caprichosa e incerta, se enreda sempre nas escadas íngremes do inatingível. Acabo por afastar a folha e fecho os olhos, maniatada por uma espera que arde há muito. Mesmo sabendo que a espera é a raíz dolorosa do que só na alma nos pertence.
Mãe, No teu ventre me geraste, Imaginando que fruto sairia do amor. Idealizaste os meus olhos, A cor do meu cabelo, A suavidade da minha pele, E até as linhas do meu rosto, Do meu sorriso e das minhas mãos. Mas, como hoje sabes, A vida nem sempre é o que sonhamos, Eu cresci e hoje sou mulher! Talvez não como me idealizaste, Mãe! Mas com a certeza de que tudo fizeste Para que eu encontrasse o meu caminho. Construiste-me as asas Para que com elas pudesse voar (E eu vou voar Mãe...) Mas, como as andorinhas que voltam na primavera, Eu voltarei para o teu regaço!
Se dizes mar, agarro-me à palavra, navego na transparência da água, avanço no sonho, absorvo a ternura que escorre entre a luz e o vento, abarcando, tonta de azul, o infinito.
Mas acabo sempre por voltar, mãe, quando me olhas profundamente e sussurras, com a certeza enternecida do percurso efémero das marés - filha!
Desfraldei um raio de sol no primeiro sorriso da manhã. Ateei um fogo de esperança numa tenra flor desabrochando e, com o pensamento em ti, libertei uma canção de amor, sinfonia a bailar no coração, sentindo crescer dentro de mim, sobre a rama verde dos afectos, o suave sabor do bem querer.