As almas soberbamente loucas vivem um solitário sonho épico, sendo tu a secreta musa do meu imaginário poético, e eu, no teu limiar cósmico, uma bola de cristal, de encanto profético.
Eu, sabendo que te amo, E como as coisas de amor são difíceis, Preparo em silêncio a mesa do jogo, estendo as peças sobre o tabuleiro, disponho os lugares necessários para que tudo comece: as cadeiras uma em frente da outra, embora saiba que as mãos não se podem tocar, e que para além das dificuldades, hesitações, recuos ou avanços possíveis, só os olhos transportam, talvez, uma hipótese de entendimento. É então que chegas, e como se um vento do norte entrasse por uma janela aberta, o jogo inteiro voa pelos ares, o frio enche-te os olhos de lágrimas, e empurras-me para dentro, onde o fogo consome o que resta do nosso quebra-cabeças.