folhasoltas
Segunda-feira, Dezembro 31, 2007
2008

Contas feitas, chegamos ao final do ano. Invariavelmente, chegam, também, os tradicionais votos de “boas saídas” e de “melhores entradas”. E, como todos precisamos de sonhos, voltamos a apostar num novo ano, em novas ilusões, em velhos desejos, no turbilhão de mil e um compromissos de mudança e de reciclagem.
Não sei o que virá com/em 2008, mas acredito que não bastará aturdirmo-nos com projectos e promessas saloias ou megalómanas. À hipótese dourada de, qual fénix renascida, podermos apagar tudo o que condicionou o tão almejado encontro com a perfeição e a felicidade, juntar-se-á, inexoravelmente, a nossa fragilidade humana emanando um perfume efémero e ilusório.
Deste modo, ponhamos de parte os embrulhos reluzentes de boas vontades e belíssimas intenções – delas está o inferno cheio – braçadeiras e coletes de salvação, teorias premonitórias de gratificações, sucessos e paraísos pessoais. Sejamos, tão-somente, genuínos e conscientes.
2008 poderá ser um presente extraordinário ou um incêndio ateado de infortúnios. A forma de aceitar ou enfrentar esse desafio ficará, no entanto, por nossa conta e risco.
Eu vou arriscar recebê-lo com um sorriso simpático e radioso. Afinal – dizem - comportamento gera comportamento.
Sinceramente, vá por mim: sorria-lhe também.

A.R.
posted by digoeu @ 01:59   4 comments
Quinta-feira, Dezembro 27, 2007
Pétala de gestos


As flores que te dei são inominados poemas.
Cada flor é um poema dito sem palavras. Cada
Palavra é uma pétala de gestos. Os poemas, esses,
São inscritos nas corolas e as abelhas sugam-lhe
O néctar. Sabe bem a cor dos poemas. Ditos interrompem
O silêncio que os tece numa escrita invisível entre sentidos
De doçura que o espírito anima. Os poemas esperam
A sensação sentida da escrita silenciosamente dita.

19.03.1996
José Custódio Almeida da Silva
Amanheceste em mim pelo poente
posted by digoeu @ 18:50   3 comments
Terça-feira, Dezembro 25, 2007
Feliz Natal






PORQUE O TEMPO DO MEU CORAÇÃO É O TEU TEMPO - FELIZ NATAL!
posted by Angel @ 19:11   5 comments
Segunda-feira, Dezembro 24, 2007
A Estrela


Por mais que tente, as palavras nunca são
a expressão exacta do que sinto. Há sensações
difíceis de exprimir, fumos de aparência a
cobrir a verdade, gestos vagos que brotam frios
de mãos caladas.
O tempo é outro, a estrada que me leva não sei
onde já não tem a frescura orvalhada da infância.
Não sei que sede a água não sacia, não sei que fome
o pão não satisfaz, e até a estrela que procuro,
nos tons doridos da lonjura, perde-se em mim
numa chama fugaz.


A.R.
posted by digoeu @ 10:03  
Quinta-feira, Dezembro 20, 2007
Noite de Natal

Esta noite, deitada sobre nascentes de afectos,
demora-se na alma envolta de cor, ternura e encanto.
Há nela um aroma, uma ponte de luz, duas sílabas doces,
perfeitas e simples que descem do céu murmuradas pelo vento.
Esta noite, a maior, a mais bela, ensina o amor, crê no perdão,
festeja a amizade, revela ao Homem a sua Salvação.

A.R.



posted by digoeu @ 12:49   4 comments
Sábado, Dezembro 15, 2007
...
O Natal só se revela em nós
quando somos capazes
de subir e descer
todos os degraus necessários
para o partilhar.


A.R.
posted by digoeu @ 20:29   2 comments
Segunda-feira, Dezembro 10, 2007
laços

não te ofereço o fulgor inesperado

do gesto

porque é Natal

mas porque gosto de ti

A.R.

posted by digoeu @ 20:18   5 comments
Quarta-feira, Dezembro 05, 2007
O Sul


O sol o sul o sal

as mãos de alguém ao sol

o sal do sul ao sol

o sol em mãos de sul

e mãos de sal ao sol




O sal do sul em mãos de sol

as mãos de sul ao sol



um sol de sal ao sul

o sol ao sul

o sal ao sol

o sal o sol

e mãos de sul sem sol nem sal



Para quando enfim amor

no sul ao sol

uma mão cheia de sal?


Ruy Duarte de Carvalho
posted by Angel @ 17:26   4 comments
Sábado, Dezembro 01, 2007
Chegou Dezembro
Chegou Dezembro. A fraternidade começa
a envolver-nos. E o amor e a humildade e
a generosidade, num êxtase confuso de valores,
consomem frivolidades, votos e ladainhas à
medida da injustiça e da miséria Universal.
Assim, numa calendarizada toada de redenção,
alegramo-nos, como é de abnegado bom tom,
porque os outros, os nossos anónimos irmãos,
numa única noite do ano, têm direito à nossa
parca disponibilidade e indiferente atenção.

A.R.
posted by digoeu @ 20:51  
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