Se estar já no período de férias é, por si só, uma dádiva propulsora de grande contentamento, que dizer da felicidade sentida ao ouvir, hoje, o nosso primeiro anunciar a chegada do Magalhães?! Mau, não me digam que não sabem quem é o Magalhães?! Não, não é o Fernão de Magalhães. Esse, coitadito, apenas se limitou a fazer uma viagenzita de circum-navegação. O meu Magalhães, aliás, o Magalhães de todos os portugueses, aquele que, como o Tintin, pode ser “manuseado” por pessoas dos 7 aos 77, é um computador. Esclareço, o primeiro portátil português (oriundo de Matosinhos), o pc de ouro de um menino, também de ouro, chamado José Sócrates. Vou comprar. Rectifico, não vou comprar. Vou pedir ao Pai Natal que mo dê ou, quem sabe, como faço, brevemente, anos, talvez alguma alma caridosa e tecnocrata queira oferecer-mo. Se os salários dos gestores públicos baixaram um por cento, tudo é possível, não? Já repararam como é tonificante soletrar este nome - ma-ga-lhães?! Eu tenho um Ma-ga-lhães. Eu ando sempre com o Ma-ga-lhães. Emprestas-me o teu Ma-ga-lhães, esta noite? Fiquei de tal modo emocionada com o anúncio deste prodígio luso que, quando possuir um, vou baptizar ( tiro o p ou não tiro?) também o rato… hum… hum… ah… já sei, vai chamar-se Barrosinho. Le portable Magalhães et le petit Barrosinho. E, se me der na telha, compro uma webcam a que apelidarei de… de… Marilu! Que trio: o Magalhães, o Barrosinho e a Marilu. Desculpem esta vontade colossal de patentear tolices. Efeito das férias. Uma coisa é certa, em Setembro, a tal rentrée - com sabor a salve-se quem puder e do vale tudo menos matar - será , com certeza, menos horripilante do que eu imaginava. É que faz toda a diferença, digo eu, entre iesses (yes) de obediência - ainda que relutantes - ohhhhhhhhhh de admiração, ahhhhhhhhhhh de incredulidade e ência de bué de sapiência (e santa paciência), dar um ar da nossa graça e afirmar peremptoriamente - sim, tenho as planificações, as grelhas, os relatórios... Deixei-os no Magalhães (Lemos?). Vou buscá-lo.
Perguntei a um sábio a diferença que havia entre amor e amizade, ele me disse essa verdade... O Amor é mais sensível, a Amizade mais segura. O Amor nos dá asas, a Amizade o chão. No Amor há mais carinho, na Amizade compreensão. O Amor é plantado e com carinho cultivado, a Amizade vem faceira, e com troca de alegria e tristeza, torna-se uma grande e querida companheira. Mas quando o Amor é sincero ele vem com um grande amigo, e quando a Amizade é concreta, ela é cheia de amor e carinho. Quando se tem um amigo ou uma grande paixão, ambos sentimentos coexistem dentro do seu coração. William Shakespeare
O alívio que perpassa numa lágrima mansa o aroma do riso que emerge do pranto gestos macios salpicados de sol o som doce do amor tatuado na alma ou até mesmo a distância de um sonho viajando na espiral do que se anseia
eis a vida apreendida na colheita dos sentidos perpetuando o instante que se esvai.
Estive em Angola em 2001, em reportagem, a convite da Caritas Internacional. Visitei Luanda, e várias outras regiões, onde a pobreza e a doença provavam até onde consegue chegar a capacidade de resistência do ser humano.
Nessa altura, as notícias dos jornais internacionais denunciavam os milhões de dólares que faltavam nas contas do Estado angolano, alegadamente provenientes da venda de petróleo, e que nunca entrarão no país.
Mesmo quem viu apenas o que eu vi, sem que sofresse na pele o horror que os angolanos sofreram, e continuam a sofrer, não pode deixar de ficar chocado com as afirmações que, ontem, José Sócrates proferiu na sua visita a Angola.
Estimular os países à mudança é uma coisa, elogiá-los com frases como «O trabalho que o governo angolano tem feito é a todos os títulos notável», a «todos os títulos», note-se, choca. Como choca que o nosso primeiro-ministro, em representação de Portugal, diga que aquele é «um dos países mais falados e mais reputados».
Mesmo, ou sobretudo, se alegar que as relações comerciais entre um dos países mais ricos do mundo e este canto à beira-mar plantado, o justificam.
A "todos os títulos" prefiro números e relatórios de fontes credíveis, a comentários pessoais. Ficam aqui alguns. Que Sócrates conhece, e não pode esquecer.
• PIB per capita: 6500 dólares (o de Portugal, é de 21 800)
• Índice de Desenvolvimento Humano - 162 (em 177 países), um lugar acima do Burkina Faso.
• Expectativa de vida: 41,7 anos
• Morte de crianças com menos de 5 anos, 245 por mil.
• Iliteracia adulta, 67,4%
• Carta aberta à UE Sobre a Situação dos Defensores dos Direitos Humanos em Angola, que relata como têm sido perseguidos e intimidados, datada de 31 de Julho de 2007, e dirigida a Luís Amado, o nosso actual ministro dos Negócios Estrangeiros, na altura presidente do Conselho da UE.
• Relatório do grupo destinado a analisar as Detenções Arbitrárias da Amnistia Internacional, elaborado em Setembro, indica que «os prisioneiros estão detidos em condições agrestes e alarmantes».
Quanto à liberdade de imprensa, segundo a AI, sofre graves restrições. Por exemplo, este texto nunca lá seria publicado.
coragem à ambição consciência à indiferença respeito à subserviência bom-senso à arrogância autoridade à autoglorificação pacifismo à inutilidade convicção ao fundamentalismo amizade ao compadrio flexibilidade à injustiça transparência ao oportunismo verticalidade à conveniência poder à impunidade.
A T I T U D E
é
dar-se conta da existência dos outros ser leal à generosidade e à gratidão não se deixar condicionar pelo poder manifestar tolerância fazer frente à mesquinhez não afunilar a verdade agir com traço de uma só cor não fazer da justiça um capricho interiorizar a grandeza da humildade não ocultar mil rostos num só enaltecer o bem-estar moral não ziguezaguear pela vida.
Coloco o amor nos ramos humedecidos da lembrança para que o vento que o respira espalhe a sua ânsia de um tempo acontecido num tempo a acontecer tão de ontem tão de hoje tão de sempre.