folhasoltas
Domingo, Setembro 20, 2009
Uma carta adiada
Decidi não escrever-te qualquer carta. A custo
acendo a pobre sombra de um poema
sobre a memória frágil do teu rosto.

De mim não carecem as notícias tomar-me,
o elemento sono da lua é tudo o que preciso
para te deixar um leve rastro
cicatrizado na terra insensata das palavras.

Tu sabes por experiência alheia
que nunca te escreveria carta alguma,
bem podes de antemão esperar
que o carteiro não te bata à porta,
lendo um poema de Pablo Neruda

duas vezes.

Fernando de castro branco
posted by digoeu @ 09:36  
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