Personagem 1 - Fico sempre espantada quando vejo alguém preocupar-se com a moda. Algumas mulheres, vejam lá, dão-se mesmo ao luxo de combinar a cor da roupa com a dos acessórios. Este ano, como se usa o roxo, há colegas que chegam a combinar a carteira, os brincos e até os anéis (risinhos histéricos). Não sei como têm tempo para essas ninharias. Personagem 2 - Por acaso, o tom lilás e o tom rosa já se usavam no ano passado, sabia? Além disso, é uma cor de que gosto particularmente e por isso tenho alguma roupa nesses tons. Personagem 1 - Ah!!! Não sabia que já se tinha usado o roxo o ano passado… Não dou grande importância à moda… Personagem 2 (aparte) - E reparar obsessivamente nos outros não será uma perda mais inútil de tempo?!”
Excerto do livro (ainda por escrever) “Prefiro os inimigos aos amigalhaços”
A inveja é uma coisa muito feia. E ridícula também. As pessoas invejosas não nos merecem a menor confiança. Há nelas um misto de rancor, pequenez e, acima de tudo, uma incontrolável tendência a ‘guetizar’ os outros através de uma visão baça, preconceituosa, tosca. Nesta perspectiva, o melhor a fazer quando nos deparamos com este tipo de criaturas low profile - frustradas, chatas, muito chatas, sempre prontas a rasteirar os outros – é enfrentá-las ou ignorá-las. Bom, podemos ainda envenená-las com raticida, sem o mínimo sentimento de culpa, claro, mas corremos o risco de existir um qualquer plano de contingência que, ao invés de as eliminar, as multiplique. Os invejosos desatinam sempre que se dão conta de que ao seu lado existe alguém que ocupa mais espaço no coração dos outros. Sufoca-os a “sorte” de quem se lhes atravessa no caminho e nutrem um profundo desprezo pelos que não pertencem à sua espécie. As medalhas deveriam ser-lhes sempre entregues já que, na opinião destes complexados, o pódio e a glória lhes pertencem desde que nasceram. O invejoso vive permanentemente entre parêntesis, olhando de lado tudo o que não seja à sua imagem e semelhança. Dedica-se a vigiar as parvoíces - segundo ele - dos que o cercam. Critica o que não tem mas gostaria de ter. Passa o tempo a descobrir defeitos nos outros porque não encontra mais nenhuma válvula de escape para a sua fragilidade. Para a sua solidão. Em suma, a inveja é um naufrágio existencial. Intolerante (e intolerável). Cruel. E tão sem graça.
A.R. |
Já disse Melaine Klein: "Quem tem inveja não consegue ser grato".
Belo texto. Abraços