folhasoltas
Domingo, Outubro 25, 2009
Morre lentamente
Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
Não arrisca vestir uma cor nova,
Não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere o "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte

Ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
Não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!


Pablo Neruda
posted by digoeu @ 09:59  
2 Comments:
  • At 1:33 PM, Anonymous Roberto Policiano said…

    Excelente escolha, Digoeu. O texto não exige explicações. Fez-me lembrar uma fala em um filme: "ou nos ocupamos de viver, ou nos ocupamos de morrer!" O texto é um convite a nos ocupar em viver. Estive fora porque meu computador resolveu não funcionar. Estou acessando da faculdade. Será meu espaço de viajar na NET por enquanto. Um grande abraço!

     
  • At 10:52 PM, Anonymous digoeu said…

    Retribuo o abraço, Roberto.

     
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