Entre engolir um sapo vivo e ser trucidada por um tiranossauro, optei por digerir o primeiro. Chama-se a este tipo de comportamento a síndrome da indigestão voluntária. Já tive, porém, necessidade de tomar dois tubos de guronsan. Freud teria aqui matéria para um estudo bem divertido.
Quis curar o coração e decidi esquecer. Esqueci-te. Mas, agora, na estranheza da minha vida, repito constantemente: - Desculpe, pensei que era outra pessoa.
Decidi não escrever-te qualquer carta. A custo acendo a pobre sombra de um poema sobre a memória frágil do teu rosto.
De mim não carecem as notícias tomar-me, o elemento sono da lua é tudo o que preciso para te deixar um leve rastro cicatrizado na terra insensata das palavras.
Tu sabes por experiência alheia que nunca te escreveria carta alguma, bem podes de antemão esperar que o carteiro não te bata à porta, lendo um poema de Pablo Neruda
Tudo o que te desejo se resume a estas simples palavras: atenta no coração dos outros, colhendo a luz e a emoção com mãos limpas, justas, serenas. Sê feliz, saudando a vida e o amor - numa dádiva de natural ternura - em cada novo dia.
Vivemos emaranhados em lugares-comuns, Indiferentes ao vaivém das sombras Que nos enclausuram no quarto fechado da consciência. Rarefaz-se o tempo. Morremos aos poucos. Mas vamos tapando a única saída.
Ainda que a rota exacta Habite o mapa do impossível, O coração, ave lançada em todo O horizonte, em todo o tempo, Sem preço de culpa ou de traição, Vislumbra o que os olhos não podem Calar e as palavras não podem dizer.